ExtraÃdo do site: Universo Fantástico
Edição: Hugo Vera
O filme se passa em 2026. Joh Fredersen é um dos “Mestres” da cidade de Metropolis , e detem controle absoluto de tudo. Na futuristica cidade, sua população é constituÃda por duas classes distintas, uma privilegiada que vive no luxo, em espetaculares edifÃcios que tocam o céu. Do outro lado, os operários, que dos subterrâneos colocam a cidade em funcionamento. A necessidade destes trabalhadores é importante para Fredersen, que espera que trabalhem, como máquinas, dez horas por dia, sem queixas e perspectivas de futuro e assim tornar real a vida da cidade. Até que surge Maria, lider pacÃfica dos operários, cuja doutrina que coloca os “Mestres de Metrópolis” e os “Operários” como iguais, incomoda os planos de Frederson. Só resta uma alternativa: tirar Maria de cena.
Ninguém poderá negar que Metropolis é uma obra prima visual. Tendo em consideração o perÃodo em que foi filmado (1926), seus efeitos especiais são estrondosos. Não havia computadores para criar esses efeitos por isso todos eles foram criados à mão.
O filme original, mudo e em preto-e-branco, tinha mais de três horas e meia de duração. Mas com o passar dos anos, ele foi sendo enxuto, até que chegasse hoje com a sua versão de um pouco mais de duas horas de projeção. Cópias da versão original perderam-se no tempo. Hoje, existe uma cópia restaurada de Metropolis, montada a partir das mais variadas versões do filme encontradas pelo mundo, com o intuito de restaurar o mais fielmente possÃvel o filme em uma versão próxima a original apresentada no inÃcio do século 20.
E, para a surpresa de todos, Meia hora de metragem do clássico de Fritz Lang (diretor da obra), foi reencontrada na Argentina, e será restaurada e acrescentada à versão conhecida. A restauradora Anke Wilkening fala do conteúdo das cenas e dos desafios da restauração digital para a revista alemã Deutsche Welle.
Deutsche Welle: Uma versão completa de Metrópolis, de Fritz Lang, foi descoberta em 2008 na Argentina. Você trabalhará na restauração digital do filme, na Fundação Friedrich-Wilhelm Murnau de Wiesbaden. O que é tão importante assim nessa versão longa?
Anke Wilkening: Todas as versões que conhecemos hoje são consideravelmente mais curtas. O filme foi originalmente cortado em aproximadamente 30 minutos pela Paramount, e os estúdios UFA [Universum Film AG] igualmente o abreviaram de forma semelhante para a distribuição na Alemanha e exportação, cerca de quatro meses após a estreia alemã. Os distribuidores decidiram que ele era longo demais por razões econômicas. A restauração da meia hora que falta mudará completamente o filme em relação à forma como o conhecemos até agora.
Quando se encurta uma pelÃcula, é mais fácil eliminar cenas envolvendo personagens secundárias do que protagonistas, e foi precisamente isso o que ocorreu com Metrópolis. Neste caso, três coadjuvantes masculinos – muito importantes para a obra por sua relação com uma das personagens principais, Freder – foram quase eliminados, reduzidos à figuração. Em todas as versões anteriores a relação ficara sempre obscura.
Metrópolis é muito bem documentado, temos o roteirosde Thea von Harbou, a partitura de Gottfried Huppertz, temos numerosas fotografias, as crÃticas da estreia. Portanto era fácil imaginar como essas cenas teriam sido. Mas ter a metragem original é bem diferente.
<< Uma das cenas antológicas da pelÃcula
De que forma a versão editada modificou a mensagem de Lang?
Metrópolis parecera sempre um filme muito bombástico, uma estranha mistura de ficção cientÃfica e outras coisas. Agora toda a estrutura narrativa mudará. Fritz Lang aborda aqui seu tema favorito: a amizade entre homens e como ela fracassa.
Como ocorre a restauração digital? Pode explicar a técnica?
Em 2001, a Fundação Murnau já realizara uma restauração digital de Metrópolis, baseada nos negativos de câmera remanescentes. Na época, não era possÃvel restaurar o filme completo, claro. Os negativos foram escaneados em resolução de 2K [2.048 pixels na horizontal], e esses arquivos serão a base para a nova restauração. Escanearemos as duplicatas em 60 mm que se encontram agora em Wiesbaden, as restauraremos o máximo possÃvel e as integraremos nos arquivos digitais de 2001.
Então, restaurar o filme significa escanear e armazenar no computador?
Esse é o primeiro passo para tudo o que seja novo na versão da Argentina. O seguinte, e mais difÃcil, é a correção digital dos estragos. A cópia está em péssimo estado, e é só uma duplicata. Após a distribuição na Argentina, o original fora exibido em cinematecas por um colecionador particular, até a década de 1960. Como pode imaginar, ele estava realmente gasto, após mais de 35 anos de projeções.
Todos os defeitos no material foram copiados na duplicata de 60 mm, o que significa que são agora parte da imagem. É muito difÃcil, mesmo na restauração digital, lidar com esse tipo de dano. O problema mais sério são linhas que atravessam todo o quadro, da esquerda para a direita. E temos problemas de estabilidade de imagem. Toda a sujeira da cópia foi também reproduzida.
Também enfrentamos alguns problemas de contraste. A cada nova geração de um elemento fÃlmico, há sempre perda de nitidez e contraste e um aumento de granulação.
<< Cineasta austrÃaco Fritz Lang
Mas há programas de computador capazes de corrigir esses defeitos?
Esperamos poder melhorar o contraste, aumentar a estabilidade e provavelmente eliminar parte da sujeira. Mas contamos que o dano sério, as linhas horizontais, permanecerão mais ou menos. Estão sendo realizados testes em diferentes laboratórios, para ver o que se pode alcançar no campo digital. Aà temos que decidir, antes de tudo, qual deles será encarregado da restauração, em segundo lugar, até que ponto vamos interferir no filme.
Metrópolis é considerado um clássico, e muitos estudantes de cinema têm que assisti-lo. Qual é a sua relevância para o ensino?
Por um lado, Fritz Lang é um dos mais importantes diretores alemães (austrÃacos), mesmo internacionais, da era do cinema mudo. Metrópolis é muito tÃpico de sua época. A UFA estava tentando competir com os Estados Unidos, ostentando a técnica elaborada que tinha à disposição. É também uma mescla dos problemas mais cruciais daquele tempo: questões polÃticas e ideológicas se misturam e se fundem nessa pelÃcula. Encontram-se elementos de ficção cientÃfica, romance, combinados à tecnologia avançada dos estúdios da UFA.
Ele foi um modelo cinematográfico por longo tempo. Há elementos de Metrópolis em muitos filmes de ação, como Blade Runner e O quinto elemento; mesmo em videoclipes como Express yourself da Madonna, ou Radio Gaga do Queen. Ou a ideia do cientista louco, que foi um modelo para os filmes de terror da Universal na década de 30.
O outro motivo é que essas cenas preciosas estiveram perdidas por tanto tempo. E tantas pessoas diferentes reviraram arquivos por todo o mundo, procurando seriamente esses 30 minutos, por razões cientÃficas, sensacionalismo, ou por mera curiosidade. Sempre houve especulações sobre essa cena, e como ela poderia modificar o filme. E esta é uma razão importante por que Metrópolis é tão famoso.
>> Deutsche Welle – por Louisa Schaefer
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